O que perguntar antes de trocar salário fixo por PJ
Perguntas essenciais antes de virar PJ: quanto cobrar para compensar os benefícios da CLT, com exemplo completo de comparação líquida.
O que é comparar CLT com PJ de verdade?
A proposta de virar PJ costuma vir com um valor bruto maior do que o salário CLT atual, e isso por si só parece vantajoso. O problema é que o salário CLT carrega benefícios embutidos — férias com terço, 13º, FGTS, e às vezes plano de saúde — que o valor PJ raramente inclui de forma explícita. Comparar os dois brutos, sem ajustar por esses itens, é comparar coisas diferentes.
Este hub reúne as perguntas e calculadoras que ajudam a fazer essa comparação de forma justa, com um exemplo numérico completo mostrando quanto uma proposta PJ precisaria pagar para equivaler a um salário CLT.
Como usar estas calculadoras na prática
A calculadora de salário líquido mostra quanto realmente cai na conta do salário CLT depois de INSS e IRRF — o ponto de partida da comparação.
A de férias e a de décimo terceiro mostram o valor mensalizado desses benefícios, que precisam ser somados ao líquido mensal para representar o "custo de oportunidade" de perder esses direitos.
A de FGTS mostra o valor que a empresa deposita mensalmente, outro benefício que desaparece na migração para PJ.
A de Simples Nacional estima o imposto que incide sobre o faturamento como PJ, dado essencial para saber quanto realmente sobra depois de emitir nota.
Exemplo com números reais
Um salário CLT bruto de R$ 6.000, com uma proposta PJ de R$ 7.500 por mês (nota fiscal).
No CLT, considerando INSS e IRRF hipotéticos que resultam numa alíquota efetiva combinada de aproximadamente 21,7%: líquido mensal ≈ R$ 4.699,20.
Somando os benefícios mensalizados: férias com terço (R$ 6.000 ÷ 12 × 4/3 ≈ R$ 666,67), 13º mensalizado (R$ 6.000 ÷ 12 = R$ 500,00) e FGTS (8% de R$ 6.000 = R$ 480,00):
Total mensalizado CLT: 4.699,20 + 666,67 + 500,00 + 480,00 ≈ R$ 6.345,87
Na proposta PJ de R$ 7.500, supondo Simples Nacional com alíquota efetiva hipotética de 6%: imposto ≈ R$ 450,00, líquido PJ ≈ R$ 7.050,00.
Mesmo sem plano de saúde, férias remuneradas ou 13º explícitos, a proposta PJ de R$ 7.500 ainda supera o equivalente mensalizado do CLT (R$ 7.050 contra R$ 6.345,87) — uma diferença de cerca de R$ 700 por mês. Só que essa diferença precisa cobrir também o custo de contratar contador, eventuais períodos sem contrato e a ausência de estabilidade que o CLT oferece.
Erros comuns ao fazer essas contas
O primeiro erro é comparar o valor bruto CLT com o valor bruto PJ sem descontar os impostos de cada um, que têm alíquotas e regras diferentes.
O segundo é esquecer de mensalizar férias, 13º e FGTS ao calcular o "salário CLT equivalente", tratando apenas o líquido mensal como se fosse a comparação completa.
O terceiro é ignorar o custo de ser PJ — contador, possível inadimplência do contratante, ausência de FGTS e de seguro-desemprego em caso de perda do contrato.
O quarto é não considerar o enquadramento correto no Simples Nacional, porque anexos diferentes têm alíquotas efetivas bem distintas dependendo da atividade prestada.
O quinto é decidir só pelo número mensal sem pensar em estabilidade: PJ costuma exigir mais reserva de emergência porque não tem aviso prévio nem seguro-desemprego.
Como usar as calculadoras relacionadas
Compare o líquido CLT com salário líquido, mensalize os benefícios com férias, décimo terceiro e FGTS, e estime o imposto da proposta PJ com Simples Nacional.
Quando esse cálculo muda sua decisão
Fazer essa conta completa muda a régua de negociação: em vez de aceitar qualquer valor PJ maior que o bruto CLT, você passa a negociar um valor que realmente compense a perda dos benefícios, geralmente entre 20% e 40% acima do salário CLT equivalente, dependendo do quanto os benefícios pesam no seu caso.