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Tesouro Prefixado: quando a taxa fixa pode ser arriscada?

Entenda quando o Tesouro Prefixado pode gerar perda por marcação a mercado, com exemplo numérico de venda antecipada do título.

O que é o risco do Tesouro Prefixado?

Tesouro Prefixado é o título público em que você trava, no momento da compra, exatamente qual taxa vai receber até o vencimento. Isso soa como a opção mais segura de todas — e é, desde que você mantenha o título até o prazo contratado. O risco aparece quando o investidor precisa (ou decide) vender antes do vencimento.

Diferente do Tesouro Selic, que tem preço praticamente estável no curto prazo, o Tesouro Prefixado sofre com a chamada marcação a mercado: o preço do título no mercado secundário sobe ou desce conforme a taxa de juros vigente muda em relação à taxa que foi contratada. Se as taxas de mercado subirem depois da sua compra, o preço do seu título prefixado cai — mesmo que o governo continue honrando o valor combinado no vencimento.

Esse mecanismo é a razão pela qual o Tesouro Prefixado é considerado mais arriscado no curto prazo do que no longo prazo: quanto mais distante o vencimento, maior o efeito da variação de taxa sobre o preço atual do papel, porque o efeito da diferença de taxa é aplicado sobre mais anos restantes.

Como calcular na prática

O preço de um título prefixado, a qualquer momento, é calculado trazendo o valor de face a valor presente pela taxa de mercado vigente:

preço = valor de face / (1 + taxa de mercado atual)^prazo restante

Quando a taxa de mercado sobe acima da taxa contratada na compra, o preço cai. Quando a taxa de mercado cai abaixo da taxa contratada, o preço sobe. Esse efeito só se materializa em perda ou ganho real se o título for vendido antes do vencimento — quem segura até o final recebe o valor de face integral, independentemente do que aconteceu no meio do caminho.

Exemplo com números reais

Suponha um Tesouro Prefixado com valor de face de R$ 1.000, vencimento em 5 anos, comprado com uma taxa hipotética de 11% ao ano. O preço de compra hoje é de R$ 593,45.

Dois anos depois, restam 3 anos para o vencimento. Se nesse momento a taxa de mercado hipotética tiver subido para 14% ao ano, o preço do título cai para R$ 674,97 (calculado como R$ 1.000 dividido por 1,14 elevado a 3).

Para efeito de comparação, se a taxa de mercado tivesse permanecido nos mesmos 11% ao ano contratados na compra, o preço nesse ponto intermediário seria de R$ 731,19. A diferença entre os dois cenários — R$ 674,97 contra R$ 731,19 — representa uma perda de cerca de R$ 56,22, ou 7,69% abaixo do que o título valeria se a taxa não tivesse mudado.

Importante: essa perda só existe se o investidor vender o título nesses 2 anos. Segurando até o vencimento original de 5 anos, ele recebe os R$ 1.000,00 completos, sem qualquer impacto da variação da taxa de mercado no meio do caminho.

Erros comuns ao fazer essa conta

  • Vender no susto quando o preço cai: a queda de preço só é uma perda de verdade se o título for vendido antes do vencimento. Segurando até o final, o valor contratado é pago integralmente.
  • Comprar Tesouro Prefixado para reserva de emergência: por causa da marcação a mercado, esse título não é indicado para dinheiro que pode precisar ser resgatado a qualquer momento — para isso, o Tesouro Selic é mais adequado.
  • Ignorar o prazo restante na hora de avaliar o risco: quanto mais distante o vencimento, maior a sensibilidade do preço a mudanças na taxa de mercado. Um título com 1 ano restante sofre bem menos que um com 10 anos restantes.
  • Achar que o Tesouro Prefixado é ruim por natureza: ele é uma boa escolha justamente para quem quer travar uma taxa e tem certeza de que vai segurar o título até o final.
  • Comparar preço de mercado com o valor que "deveria" ter sem entender marcação a mercado: o preço de mercado reflete a taxa vigente, não um erro ou injustiça — é assim que qualquer título de taxa fixa se comporta.

Como usar a calculadora relacionada

A calculadora de valor presente ajuda a entender exatamente esse cálculo: como um valor futuro (o valor de face do título) se traduz em preço hoje, dependendo da taxa de desconto usada. A calculadora de investimentos permite simular o crescimento do capital ao longo do prazo total, útil para comparar o cenário de manter o título até o vencimento.

Quando esse cálculo muda sua decisão

Se o dinheiro tem data certa para ser usado — uma entrada de imóvel daqui a 4 anos, por exemplo — e esse prazo coincide com o vencimento do título, o Tesouro Prefixado costuma ser uma escolha sólida, porque a marcação a mercado no meio do caminho simplesmente não importa. Já se existe qualquer chance de precisar do dinheiro antes do prazo, vale considerar Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária, que não sofrem esse tipo de oscilação de preço no curto prazo.

Também vale reavaliar a decisão quando as taxas de juros mudam de forma acentuada: um Tesouro Prefixado comprado com taxa muito acima da taxa de mercado atual pode valer a pena vender antes do vencimento, se surgir uma oportunidade melhor — mas isso exige entender bem o cálculo de marcação a mercado antes de agir.

Perguntas Frequentes

Só se vender antes do vencimento em um momento de taxa de mercado mais alta que a taxa contratada. Segurando até o final, você recebe o valor de face integral, sem perda.
Porque ele é negociado no mercado secundário a valor presente, e a taxa de desconto usada nesse cálculo muda conforme as expectativas de juros da economia mudam dia a dia.
Não é pior, é diferente. O Tesouro Selic tem preço estável e é melhor para reserva de emergência. O Prefixado trava uma taxa e é melhor para objetivos com prazo definido que coincide com o vencimento do título.
Escolhendo um vencimento compatível com o momento em que você realmente vai precisar do dinheiro. Se você não pretende vender antes do prazo, a variação de preço no meio do caminho deixa de ser um problema prático.
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