Como comparar duas propostas de empréstimo
Um checklist para comparar propostas de empréstimo com prazos e taxas diferentes, olhando além da parcela mensal.
O que significa comparar propostas de empréstimo corretamente?
Comparar propostas de empréstimo corretamente significa colocar todas elas na mesma régua — mesma unidade de taxa, mesmo horizonte de tempo, mesmo conjunto de custos considerados — antes de decidir qual escolher. Comparar diretamente parcelas ou taxas nominais isoladas, sem esse cuidado, costuma levar a escolher a proposta que parece melhor no papel, mas que custa mais no total.
Como calcular na prática
Um checklist de comparação eficaz inclui:
- Taxa de juros do período, convertida para a mesma unidade de tempo em todas as propostas (mensal ou anual).
- CET (Custo Efetivo Total), que já incorpora tarifas e seguros — a métrica mais confiável para comparação.
- Prazo total, já que prazos diferentes mudam completamente o total pago mesmo com taxas parecidas.
- Total pago ao final, calculado como parcela × número de parcelas, o número mais concreto para decidir.
- Condições de quitação antecipada, verificando se há multa ou desconto proporcional de juros nesse caso.
Exemplo com números reais
Duas propostas para um empréstimo de R$ 8.000:
Proposta A: taxa de 1,8% ao mês, 18 parcelas de R$ 520,00. Total pago = R$ 520 × 18 = R$ 9.360,00. Juros totais = R$ 1.360,00
Proposta B: taxa de 2,2% ao mês, 12 parcelas de R$ 745,00. Total pago = R$ 745 × 12 = R$ 8.940,00. Juros totais = R$ 940,00
Apesar da Proposta B ter uma taxa de juros nominal maior (2,2% contra 1,8% ao mês), o prazo mais curto faz o total de juros pagos ser menor (R$ 940 contra R$ 1.360). Esse exemplo mostra por que a taxa de juros isolada não é suficiente para decidir — o efeito do prazo pode inverter a comparação.
Erros comuns ao fazer essa conta
- Escolher a proposta com a menor taxa de juros nominal, sem considerar o prazo. Como mostrado no exemplo, uma taxa menor com prazo mais longo pode custar mais no total do que uma taxa maior com prazo curto.
- Não converter as taxas para a mesma unidade de tempo antes de comparar. Misturar taxa mensal de uma proposta com taxa anual de outra invalida a comparação direta.
- Ignorar o CET quando ele está disponível. O CET já resolve boa parte do trabalho de comparação, incorporando tarifas e seguros — não usá-lo é deixar de lado uma informação valiosa e obrigatória por lei.
- Comparar só o valor da parcela, sem calcular o total pago. A parcela isolada não revela o custo total da operação — sempre multiplique pela quantidade de parcelas antes de decidir.
- Não considerar sua própria capacidade de pagamento além do custo total. A proposta "mais barata" no total pode ter uma parcela que não cabe confortavelmente no seu orçamento — o equilíbrio entre custo total e parcela sustentável é o que importa na prática.
Como usar a calculadora relacionada
A Calculadora de Empréstimo Simples permite simular cada proposta separadamente, informando valor, taxa e prazo — rode a calculadora para cada proposta e compare o total pago resultante, seguindo o checklist acima antes de decidir.
Quando esse cálculo muda sua decisão
Escolher entre uma proposta de parcela menor e prazo mais longo versus uma de parcela maior e prazo mais curto, com base no total de juros pago em cada uma.
Negociar condições adicionais com o credor, como redução de tarifas ou seguros, depois de identificar que o CET de uma proposta está acima do esperado.
Confirmar se vale a pena esperar para conseguir uma taxa melhor em outra instituição, comparando o ganho potencial com o tempo de espera envolvido.