CET explicado: por que o custo efetivo total importa
Entenda o que é o Custo Efetivo Total de um empréstimo ou financiamento e por que ele é mais confiável que a taxa de juros anunciada isoladamente.
O que é o CET?
CET (Custo Efetivo Total) é o indicador que resume, num único número, todo o custo real de um empréstimo ou financiamento — não só a taxa de juros nominal, mas também tarifas, seguros obrigatórios e outros encargos embutidos na operação. É a métrica pensada justamente para permitir comparar propostas de crédito de forma justa, já que a taxa de juros sozinha pode esconder custos adicionais que mudam bastante o valor final pago.
Duas propostas com a mesma taxa de juros nominal podem ter CETs bem diferentes, dependendo das tarifas e seguros que cada uma inclui.
Como calcular na prática
O CET não é uma soma simples de taxa mais tarifas — ele é calculado encontrando a taxa de juros equivalente que, sozinha, geraria o mesmo total pago considerando todos os custos da operação (juros, tarifas, seguros) distribuídos ao longo do prazo. Na prática, isso significa que o CET sempre é igual ou maior que a taxa de juros nominal anunciada.
Por lei, instituições financeiras no Brasil são obrigadas a informar o CET em operações de crédito, justamente para dar uma base de comparação mais confiável que a taxa de juros isolada.
Exemplo com números reais
Considere duas propostas de empréstimo de R$ 10.000, ambas com a mesma taxa de juros nominal hipotética de 2% ao mês em 12 parcelas:
Proposta A: sem tarifas adicionais. Taxa de juros nominal e CET praticamente coincidem, próximos de 2% ao mês.
Proposta B: mesma taxa de juros nominal (2% ao mês), mas com uma tarifa de abertura de crédito de R$ 300 e um seguro obrigatório de R$ 50 mensais. Esses custos adicionais, quando diluídos no cálculo do CET, elevam o custo efetivo para um valor sensivelmente acima de 2% ao mês — mesmo a taxa de juros anunciada sendo idêntica à da Proposta A.
Esse exemplo mostra por que duas propostas com a "mesma taxa" podem ter custo real bem diferente — o CET captura essa diferença, mas a taxa de juros nominal isolada, não.
Erros comuns ao fazer essa conta
- Comparar apenas a taxa de juros nominal entre propostas. Sem olhar o CET, tarifas e seguros embutidos podem passar despercebidos, distorcendo a comparação real de custo.
- Achar que o CET é sempre igual à taxa de juros nominal. O CET só coincide com a taxa nominal quando não há nenhum custo adicional na operação — na maioria dos casos, ele é um pouco (ou bem) maior.
- Ignorar seguros obrigatórios embutidos no contrato. Alguns financiamentos exigem seguro como condição do crédito — esse custo deveria estar refletido no CET, mas vale conferir se realmente está sendo considerado na proposta.
- Não pedir o CET quando ele não é informado espontaneamente. Por lei, instituições financeiras devem informar o CET — se não for apresentado claramente, vale solicitar antes de fechar a operação.
- Comparar CET de operações com prazos muito diferentes sem considerar o efeito do tempo. O CET já embute o efeito do prazo no cálculo, mas vale entender que prazos diferentes tornam a comparação de custo total (em reais) diferente da comparação de CET (em percentual).
Como usar a calculadora relacionada
A Calculadora de Empréstimo Simples e a Calculadora de Financiamento Price calculam o total pago a partir da taxa de juros informada — para estimar o efeito de tarifas e seguros adicionais no CET, some esses custos ao total pago calculado e recalcule a taxa equivalente que geraria o mesmo total, para uma aproximação do CET real da operação.
Quando esse cálculo muda sua decisão
Comparar propostas de crédito de diferentes instituições financeiras usando o CET como critério principal, em vez de só a taxa de juros anunciada.
Questionar uma proposta que anuncia uma taxa de juros baixa, mas que pode esconder tarifas ou seguros que elevam o CET real da operação.
Negociar a remoção de tarifas ou seguros opcionais numa proposta de crédito, reduzindo assim o CET final da operação.